Executivos da indústria destacam que conveniência, saudabilidade, rastreabilidade e segurança alimentar serão decisivas para sustentar o crescimento do setor
O Brasil consolidou sua posição como um dos principais fornecedores globais de proteína animal, mas manter essa liderança exigirá ganhos contínuos de eficiência, inovação, adaptação ao novo perfil do consumidor e fortalecimento da segurança sanitária. Essa foi a principal mensagem do painel “Futuro das Proteínas”, realizado na manhã do segundo dia do SIAVS e comandado pelas lideranças das agroindústrias.
O palco recebeu os CEOs João Campos (Seara), Miguel Gularte (MBRF) e o diretor-presidente Neivor Canton (Aurora Coop) para debater as mudanças do mercado diante das transformações geopolíticas, comportamento do consumidor e novas exigências do comércio internacional.
Conforme compartilhou João Campos, a competitividade brasileira está diretamente ligada ao modelo de integração desenvolvido pelo setor ao longo das últimas décadas. Porém, apenas a escala produtiva já não é suficiente para garantir vantagem competitiva.
Segundo o executivo, o consumidor é quem move o setor. E para isso, é preciso entender as mudanças nos mercados e antecipar as demandas. Isso significa que a liderança do Brasil dependerá cada vez mais da capacidade de antever tendências, responder rapidamente às exigências dos clientes e manter elevados padrões de sanidade, rastreabilidade e qualidade.
Nesse novo ambiente, famílias menores, maior longevidade, preocupação crescente com saúde, conveniência e qualidade dos alimentos exigem produtos cada vez mais alinhados às necessidades do consumidor. E o Brasil continuará sendo um dos grandes provedores de proteína animal para o mundo.
Brasil como protagonista global
Na avaliação de Miguel Gularte, o setor atravessa um momento marcado por conflitos geopolíticos e transformações na dinâmica do comércio internacional, mas a produção de alimentos segue desempenhando um papel estratégico.
De acordo com ele, a resiliência sempre foi uma característica da atividade. Ao longo das últimas décadas, o agronegócio superou sucessivos desafios sanitários, econômicos e comerciais e seguirá ocupando posição de protagonismo.
Gularte também chamou atenção para a rápida transformação do comportamento do consumidor, impulsionada pelo maior acesso à informação, pela busca por praticidade e pela valorização de alimentos saudáveis. Conforme compartilhou, a proteína passou a ocupar o centro do prato. Ou seja, o consumidor quer qualidade, conveniência e preço competitivo, e esse movimento representa uma grande oportunidade para o setor.
As mudanças do consumidor final
Ao avançar em produtividade, o setor precisará responder a um consumidor menos previsível e cada vez mais atento às questões relacionadas à saudabilidade dos alimentos, segundo Neivor Canton. Em seu discurso, ele comenta que confiança do consumidor ainda tem muito espaço para ser construída. Na prática, o setor precisa entregar respostas efetivas às novas demandas do mercado.
Além disso, a geopolítica também exige maior proximidade com os mercados consumidores. Como exemplo, citou os investimentos realizados pela Aurora para compreender mais profundamente o comportamento do consumidor chinês, considerado estratégico para o futuro das exportações brasileiras.
Na avaliação do executivo, a tendência é que os portfólios de produtos sejam redesenhados para oferecer maior valor agregado e maior densidade proteica. Isso porque o consumidor está migrando do volume para o valor nutricional. Isso exigirá novos investimentos, inovação e uma adaptação constante das empresas.


