Painel de abertura do segundo dia do SIAVS reuniu representantes dos setores de aves, suínos, bovinos, leite e pescados para discutir competitividade e acesso a mercados
A competitividade, a sustentabilidade e a capacidade de expansão da produção brasileira de proteínas animais foram os principais temas debatidos no painel “Cenário da Proteína Animal na Visão Setorial”, que abriu a programação do segundo dia do SIAVS 2026.
Durante a mesa-redonda, os representantes das cadeias produtivas de aves e suínos, pecuária de corte e leite, e pescados realçaram o papel estratégico do Brasil no abastecimento global de alimentos e a necessidade de fortalecer a imagem do setor nos mercados internacionais.
O presidente da ABPA, Ricardo Santin, ressaltou a importância da competitividade e dos setores investirem na imagem da produção brasileira. Em sua avaliação, o país precisa dedicar recursos na comunicação sobre seus diferenciais, como os avanços em sustentabilidade, biosseguridade e preservação ambiental.
Segundo Santin, o país possui mais de 1,1 milhão de quilômetros quadrados de áreas preservadas em propriedades privadas por meio da reserva legal, além de aproximadamente 52 milhões de hectares de pastagens passíveis de conversão para sistemas mais produtivos, sem necessidade de abertura de novas áreas.
“O Brasil tem clima favorável, produtores altamente capacitados e vocação para alimentar o mundo. Precisamos mostrar essa realidade, reforçando nossa imagem como fornecedor de proteína produzida com sustentabilidade, segurança alimentar e responsabilidade ambiental”, destacou Santin.
Integração e comunicação como estratégia de expansão
O gerente de Agronegócios da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou em sua fala inicial a importância do SIAVS como um dos principais eventos do calendário nacional para promoção das proteínas animais brasileiras.
Ele ainda destacou que, em um cenário global marcado por instabilidade e fragmentação, o Brasil se diferencia pela organização de sua cadeia produtiva, competitividade e confiabilidade sanitária. Pela ótica de Müller, a credibilidade construída pelo setor ao longo dos anos e do trabalho conjunto entre entidades, produtores e governo, levou o país a protagonizar no ranking mundial de proteínas animais.
“O Brasil demonstra capacidade de atender o mercado interno, ampliar o consumo doméstico e, ao mesmo tempo, bater recordes de exportação. Isso é resultado de organização, tecnologia e da confiança construída por toda a cadeia produtiva”, concluiu.
Setor de pescados aposta em integração e novos mercados
Representando o setor de pescados, o presidente da Abipesca, Eduardo Lobo, enfatizou a importância da troca de informações entre as cadeias produtivas para impulsionar o crescimento do setor. Segundo ele, a proteína vive um momento de expansão e mantém no radar parcerias internacionais.
No recorte do consumo interno, o pescado possui amplo espaço para expansão. Enquanto o brasileiro consome, em média, cerca de 10 quilos por habitante ao ano, a média mundial é de aproximadamente 20 quilos. Para ele, esse cenário demonstra que o país pode ampliar significativamente sua produção, tanto para atender o mercado doméstico quanto as exportações.
O dirigente também lembrou que o Brasil exporta atualmente cerca de US$ 400 milhões em pescados, mas possui potencial para avançar muito mais. Neste momento, está no radar da atividade parcerias com o mercado europeu. “Estamos confiantes. Nosso otimismo e resiliência são altos”, enfatizou.
Na outra ponta, entre os desafios da atividade estão a ampliação das linhas de crédito para expansão da produção e renovação da frota, investimentos em tecnologia para a indústria, avanços regulatórios e a modernização dos processos de licenciamento para utilização das águas da União.
Brasil mira maior competitividade na cadeia do leite
Ao trazer os principais movimentos do setor lácteo, o presidente do Sindilat, Guilherme Portela, compartilhou os caminhos para o Brasil alcançar maior competitividade internacional. Segundo ele, o país ainda importa mais produtos lácteos do que exporta, embora já existam avanços importantes em produtividade e acesso a mercados externos, incluindo produtos de maior valor agregado.
Como principais engrenagens para expansão da atividade, a integração entre os elos da cadeia leiteira, estratégia voltada ao fortalecimento da competitividade, abertura de novos mercados e valorização do produtor rural são elementos importantes.
E as oportunidades serão maximizadas com uma maior aproximação entre o setor lácteo e a ABPA. “Faltava uma liderança direcional para apontar caminhos de como podemos atingir níveis de competitividade e novos mercados de exportação para fortalecer a cadeia. Essa relação fortalecerá a atuação conjunta no setor”, realça Portela.
Pecuária de corte reforça peso econômico nas exportações
Sobre os principais movimentos da pecuária de corte, o presidente da Abiec, Roberto Perosa, trouxe uma abordagem econômica da cadeia. No último ano, a atividade movimentou cerca de US$ 20 bilhões em exportações e aproximadamente US$ 80 bilhões em vendas totais.
Porém, apesar dos números positivos, o setor enfrenta desafios relacionados ao cenário geopolítico, conflitos internacionais e barreiras comerciais que, muitas vezes, assumem formato de exigências sanitárias. “E, ainda assim, a pecuária brasileira mantém elevados índices de produtividade e continua abastecendo simultaneamente os mercados interno e externo”, ressaltou.
Dentro desse recorte é importante pontuar que as exportações não competem com o abastecimento doméstico, mas funcionam como um dos pilares que sustentam toda a cadeia produtiva. Segundo Perosa, a parceria entre Abiec e ApexBrasil, construída ao longo de mais de duas décadas, foi decisiva para a abertura e consolidação de mercados em diferentes continentes.


